Resumo
Grande parte da literatura do Programa Mais Médicos (PMM) analisa os impactos do programa através do aumento do número de médicos e aumento no número de consultas médicas, sem analisar outros desfechos em saúde. O objetivo deste estudo é analisar os aspectos econômicos do PMM em relação ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) brasileira. A metodologia utilizada foi a de revisão integrativa de artigos publicados no período de 2013 a 2025 nas bases de dados BVS, Web Of Science e PubMed. Foram identificados 843 estudos dos quais 22 foram incluídos nesta revisão. Os principais resultados da introdução do PMM reforçam o foco na produção médica: houve o aumento da cobertura da Estratégia de Saúde da Família (ESF), do número de consultas médicas e do número de médicos no Brasil, além de queda nas internações hospitalares por causas sensíveis à APS (ICSAP) e redução de 4,6% nas hospitalizações gerais. Entretanto, o PMM não reduziu significativamente as taxas de internações por doenças cardiovasculares, mortalidade geral, infantil, materna ou entre os idosos. Apenas dois estudos analisaram a relação entre uso de recursos e resultados em saúde. O PMM ampliou a cobertura e o acesso à saúde, resultando em efeitos positivos na saúde do brasileiro, apesar disso a contratação emergencial de médicos não é uma solução definitiva para os problemas de saúde no Brasil. Pouco se discute sobre o financiamento do PMM e a relação entre uso de recursos e os resultados em saúde alcançados, destacando a relevância da realização deste estudo e a necessidade de que esses temas sejam abordados em publicações futuras.