Resumo
A saúde planetária busca ampliar o conceito de saúde, resgatando a conexão entre a humanidade e o meio ambiente. Dentre as discussões, as mudanças e emergências climáticas ocupam papel central, uma vez que refletem em ameaças significativas à saúde coletiva e perdas financeiras substanciais. É necessário que os governos criem estratégias para o seu enfrentamento, além de ações em mitigação e adaptação, elencando a justiça socioambiental. Este trabalho propõe responder à seguinte pergunta de pesquisa: O que a literatura científica nacional e internacional possibilita identificar sobre o planejamento e a gestão em saúde pública, com foco em emergências climáticas, no Brasil? Este estudo é uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados Lilacs/BVS, PubMed/Medline e Web of Science, utilizando como referência para seleção dos artigos as diretrizes do protocolo PRISMA. Foram utilizados Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), organizados em três pólos temáticos: (i) fenômeno – mudanças climáticas e emergências em saúde; (ii) objeto – planejamento e gestão em saúde; e (iii) contexto – Brasil. Utilizou-se o software Rayyan e ao final foram selecionados 11 artigos para leitura completa. Foi também realizada uma busca por documentos governamentais, sendo identificados 29 documentos selecionados para análise completa. A resposta às emergências climáticas nem sempre está articulada à ações de desenvolvimento e recuperação a longo prazo, também não são abordadas ações de adaptação e mitigação às mudanças climáticas. Ainda é utilizado pela literatura científica o termo “desastre natural”, no qual remove-se o papel da ação humana. A maioria dos artigos se trata de relatos de casos ou estratégias de enfrentamento, como o uso de tecnologias. Os planos carecem de indicadores de acompanhamento, financiamento adequados e inclusão da discussão sobre as populações vulnerabilizadas. É necessário aprofundar o debate sobre o planejamento e a gestão em saúde pública, com foco em emergências climáticas no Brasil, com enfoque no estabelecimento de metas e indicadores, no detalhamento orçamentário e na maior participação comunitária.