Limites e Fragilidades do modelo value-based healthcare – VBHC no contexto dos sistemas universais de saúde

Resumo

O modelo de saúde baseada em valor (VBHC) tem sido proposto como uma abordagem inovadora para enfrentar os desafios atuais no setor de saúde, como o envelhecimento da população, o aumento das doenças crônicas e a necessidade de utilizar novas tecnologias de forma eficiente. Este modelo enfatiza a maximização dos resultados em saúde alcançados para cada unidade de custo investido, ao contrário do modelo tradicional de pagamento por serviço, que pode incentivar o aumento de custos sem necessariamente melhorar a qualidade do cuidado. O VBHC foi definido por Porter e Teisberg como a relação entre os desfechos de saúde alcançados pelos pacientes e os custos totais para atingi-los. Isso implica uma mudança fundamental na forma como os serviços de saúde são entregues e financiados, com uma ênfase maior na medição de resultados, na integração dos cuidados em Unidades de Prática Integradas (UPIs) e na reestruturação dos incentivos financeiros para promover a qualidade. No entanto, apesar do potencial promissor do VBHC, há desafios significativos e limitações a serem considerados, pois a implementação do VBHC requer uma transformação substancial não apenas na infraestrutura e nos processos dos sistemas de saúde, mas também na formação e prática dos profissionais de saúde. A mudança para este modelo exige que os profissionais estejam capacitados para medir, reportar e melhorar continuamente os resultados dos pacientes, o que pode ser um desafio em contextos onde as práticas tradicionais ainda predominam. Portanto, enquanto o VBHC representa uma evolução positiva em direção a um sistema de saúde mais eficiente e centrado no paciente, sua adoção universal enfrenta barreiras significativas. A revisão evidenciou a existência de desigualdades regionais no acesso aos cuidados de saúde, apontando para a necessidade de políticas públicas inclusivas e equitativas. A educação e qualificação profissional foram identificadas como cruciais para preparar a força de trabalho para um modelo centrado em valor. A complexidade na mensuração dos resultados e a resistência cultural às mudanças foram identificadas como barreiras significativas que requerem abordagens inovadoras e colaborativas.
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