Gravidez não-planejada na adolescência e o planejamento familiar na atenção básica: uma análise a partir de um olhar da economia política

Resumo

A gravidez não planejada na adolescência representa um desafio global trazendo a questão pessoal, de saúde, direitos humanos, de desenvolvimento e humanitária. Estima-se que 50% das gravidezes no mundo são não planejadas e 121 milhões de mulheres e meninas engravidam sem desejar. Das 210 milhões de gestações que ocorrem anualmente, cerca de 38% são não intencionais e 22% terminam em aborto, impactando a vida dessas adolescentes, com implicações financeiras, abandono escolar, inserção desqualificada no mercado de trabalho, repetição do ciclo intergeracional de pobreza, exposição a situações de maior vulnerabilidade e exclusão social. A atenção básica desempenha um papel crucial como a base para instituir programas de educação e serviços em saúde eficazes. Este artigo visou analisar a influências das ações de planejamento reprodutivo na Atenção Básica e seus custos em relação a gravidez não planejada na adolescência. Foi realizada uma revisão integrativa na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) considerando os descritores: gravidez na adolescência, adolescente, menores de idade, gravidez não planejada, planejamento do desenvolvimento familiar, planejamento do desenvolvimento da família, planejamento da fecundidade, paternidade responsável, programas de planejamento familiar, Atenção Primária à Saúde, Atenção básica à saúde, atendimento básico, cuidado primário de saúde, primeiro nível de assistência, primeiro nível de atenção à saúde, com as articulações dos operadores boleanos AND e OR. Foram identificados 393 artigos e, após aplicação de critérios de inclusão/exclusão, foram selecionados 50 artigos. A maior parte dos artigos foca em aconselhamento e educação, outros no acesso. Apesar de programas de planejamento reprodutivo funcionarem em muitos municípios, não há linearidade em educação permanente, em saúde e acesso a todos os métodos contraceptivos, impondo desafios aos governos para melhorar os índices de gravidezes indesejadas. São assim necessárias políticas públicas eficazes e inclusivas para combater as inequidades sociais e econômicas que contribuem para gravidezes indesejadas em contextos de vulnerabilidade.
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