Resumo
Esta revisão sistemática objetivou mapear e analisar as evidências disponíveis na literatura nacional e internacional sobre avaliação de tecnologias em saúde (ATS) e análises econômicas de próteses de reabilitação para amputados, com especial atenção à produção científica brasileira. Foram pesquisadas seis bases de dados (PubMed, Embase, Web of Science, Lilacs, Cochrane e Science Direct), abrangendo os seguintes descritores: Avaliação de Tecnologias em Saúde; Análise Econômica em Saúde; Próteses; Amputação; Reabilitação. O recorte incluiu estudos publicados desde 2015, conforme protocolo PRISMA. Do total de 1.872 publicações identificadas, 8 estudos preencheram os critérios de inclusão. Os resultados mostraram predominância de avaliações econômicas e de efetividade em próteses de membros inferiores, especialmente em tecnologias como joelhos microprocessados, sistemas de suspensão a vácuo e implantes ósseo-ancorados. Estudos internacionais reportaram razões de custo-efetividade para joelhos eletrônicos entre US$ 30.000 e US$ 60.000 por QALY, e para implantes ósseo-ancorados cerca de US$ 95.000 por QALY, indicando custo-efetividade favorável em perfis específicos de usuários. No entanto, verificou-se escassez de estudos com horizonte de longo prazo e grande heterogeneidade metodológica, dificultando comparações diretas. Especificamente no Brasil, a produção científica sobre avaliações econômicas de próteses ainda é incipiente, com poucos estudos abordando custos, impacto orçamentário ou custo-utilidade no contexto do SUS. Conclui-se que, diante do aumento das amputações e do avanço das tecnologias protéticas, há uma lacuna importante de evidências nacionais que possam orientar decisões de incorporação no sistema público. Assim, reforça-se a necessidade de fomentar pesquisas locais robustas e alinhadas às melhores práticas internacionais, a fim de promover políticas de acesso equitativo e sustentável.