Resumo
A retinopatia diabética (RD) está entre as principais causas de perda de visão em pessoas entre 20 e 75 anos. A degeneração macular relacionada à idade na sua forma neovascular (DMRIn) também é uma das principais causas de cegueira no mundo e, no Brasil, estima-se uma prevalência de 2,2% da população na faixa etária de 70-79 anos e de até 10,3% em indivíduos com 80 anos ou mais. Quando não tratada, essas retinopatias podem evoluir para um quadro de cegueira irreversível. O tratamento da RD e da DMRIn está incorporado no SUS, porém ao analisar o sistema de saúde pública do Brasil, encontramos algumas barreiras que podem dificultar o acesso integral aos serviços de saúde. O objetivo desse estudo é apontar os desafios de acesso ao tratamento das retinopatias (Retinopatia Diabética e Degeneração Macular Relacionada à idade na forma neovascular) e os impactos em alguns sistemas de saúde. Através da análise de 11 artigos, foram identificadas as seguintes dificuldades de acesso em Sistemas de Saúde no mundo: alto custo de tratamento, carga de tratamento, escassez de iniciativas políticas, serviços ineficazes de cuidado com os olhos, falta de integração dos serviços de saúde ocular nos sistemas de saúde, baixa presença de cuidados com os olhos no nível primário de atenção à saúde e escassez de profissionais de saúde com capacitação ocular. Essas barreiras geram impactos diretos, indiretos e financeiros para pacientes e sistemas de saúde. As soluções encontradas baseiam-se em investimentos em pesquisa pública para prevenção e tratamento de doenças oculares, conscientização dos profissionais de saúde e decisores políticos sobre o gasto econômico das complicações do diabetes e a rastreamento baseado em teleoftalmologia.