Acesso à saúde como direito social e a mortalidade cardiovascular no mundo: uma revisão integrativa

Resumo

As doenças cardiovasculares são a maior causa de mortalidade no mundo, representando 32% da mortalidade total em 2019, e afetam os países de baixa e média renda diferentemente dos países de alta renda. A literatura sobre doença cardiovascular é extensa em relação a tecnologias e novas medicações. Entretanto, informações sobre a garantia do acesso como direito social nos países não são facilmente identificadas e discussões sobre a organização dos sistemas de saúde nos países e possíveis efeitos sobre a mortalidade requerem mais estudos. O objetivo deste artigo foi buscar evidências acerca da relação entre acesso à saúde como direito social e a mortalidade por doenças cardiovasculares. Trata-se de uma revisão integrativa que objetivou responder à seguinte questão: "Qual a relação entre a mortalidade cardiovascular e o direito de acesso à saúde?". Foi utilizada a estratégia PICO e os estudos incluídos possuíam análises de mortalidade cardiovascular e acesso à saúde como assuntos ou abordaram estes aspectos. A busca foi realizada na base PubMed, onde foram identificados 317 artigos, dos quais 21 foram incluídos. Foi adicionado um artigo pela autora, por se tratar de atualização de estudo incluído na revisão, totalizando 22 publicações analisadas. A mortalidade cardiovascular varia de forma importante no mundo, mas também dentro dos países. Países de alta renda têm uma alta taxa de mortalidade cardiovascular e um perfil epidemiológico predominantemente de doenças crônicas não transmissíveis, enquanto países alguns países convivem com uma tripla carga de doenças e países de baixa renda, como os da África, com a predominância de doenças infecciosas. A pobreza, a divisão da sociedade em classes e o acesso à saúde se apresentam como os principais responsáveis pelo aumento da mortalidade nas populações, sendo a mortalidade cardiovascular uma causa sensível. A garantia do acesso à serviços básicos de saúde interfere no perfil de mortalidade da população e a sua ausência amplia iniquidades. A mortalidade cardiovascular é sensível às políticas de proteção social e rapidamente impactada negativamente por perda de direitos, sendo necessário o olhar ampliado para tomada de decisão no enfrentamento a estas doenças no mundo.
Compartilhe: